22 de abril de 2025
Galpões refrigerados, tecnologia e mão de obra: bastidores da logística da Páscoa de 2025
Empresas reforçam estoques, ampliam centros de distribuição e investem em tecnologia para atender à demanda da data
Diversas datas movimentam o varejo brasileiro — e a Páscoa é uma das mais relevantes. Em 2025, a celebração será no dia 20 de abril e já está impactando a cadeia de abastecimento.
Em nota à imprensa, o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Ulisses Gamboa, afirmou que supermercados e hipermercados devem ser os mais beneficiados neste período, já que concentram a venda dos itens mais procurados, como ovos de chocolate e produtos alimentícios típicos.
Embora as projeções do varejo indiquem certa estabilidade nas vendas em relação ao ano anterior, a movimentação logística do setor revela um esforço consistente das empresas para manter o ritmo e aproveitar a data.
Em entrevista ao REsource, a Dengo afirmou que espera um crescimento de 35% nas vendas durante a Páscoa em comparação com o ano anterior. “Tivemos uma operação mais reforçada para suportar o sazonal de Páscoa, assim como fazemos no Natal”, informou a companhia.
Logística em foco
A logística desempenha papel central no desempenho do varejo. Dados da plataforma Market Analytics mostram que o setor de bens de consumo representa 33,3% das ocupações em condomínios logísticos no Brasil.
A equipe do REsource procurou a Americanas para comentar sobre sua operação. A empresa, que ocupa 425 mil m² em galpões logísticos de classes A+, A e B espalhados pelo país, informou que iniciou em março um plano
de reforço na cadeia logística voltado à Páscoa. Outro destaque foi a locação de quatro galpões refrigerados exclusivamente para a armazenagem dos chocolates.
“A Americanas reforçou seus estoques e operação a fim de promover, mais uma vez, uma edição histórica da Páscoa. Maior canal de vendas de chocolates no Brasil, a companhia disponibiliza um sortimento de mais de 520
itens, incluindo ovos, barras de chocolate e bombons”, informou a empresa.
Segundo Claudio Biscola, gerente de vendas LATAM da Thermo King — empresa especializada em refrigeração para transporte de carga —, o transporte seguro de chocolates exige tecnologia e cuidado extremo.
“A excelência na cadeia de suprimentos do chocolate depende da aplicação de tecnologias que proporcionem controle térmico preciso. Sensores de temperatura de alta precisão, sistemas automatizados e unidades de refrigeração com resfriamento rápido e uniforme são indispensáveis para evitar problemas como fat bloom (esbranquiçamento da gordura) e sugar bloom (cristalização do açúcar), que comprometem a qualidade e a atratividade do produto”, explica Biscola.
A Americanas afirmou também que a operação para este ano inclui 1.600 lojas físicas, além do e-commerce e aplicativo. Para atender à demanda crescente, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, a companhia aumentou em 20% o volume de itens e contratou 6.500 colaboradores temporários.