25 de setembro de 2026
Produtividade ganha novos indicadores na gestão da cadeia fria no Brasil
Em um cenário de pressão por custos e maior eficiência, a produtividade na logística passa a ser medida para além da carga transportada. Na cadeia do frio, indicadores como disponibilidade dos equipamentos, tempo de operação, consumo de combustível, manutenção e monitoramento em tempo real ajudam a identificar gargalos, corrigir erros, antecipar falhas e melhorar o aproveitamento da frota.
A relevância dessa discussão também está relacionada à redução de desperdícios. Dados divulgados pela FAO em 2025 apontam que 13% dos alimentos são perdidos ao longo da cadeia de abastecimento antes de chegarem às prateleiras, o equivalente a cerca de 931 milhões de toneladas por ano. A organização destaca ainda que tecnologias da cadeia do frio poderiam evitar 144 milhões de toneladas de perdas anualmente em países em desenvolvimento.
No Brasil, o movimento acompanha o crescimento das operações. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Logística (Abralog), a TAFF Brasil, empresa de logística integrada com atuação no segmento de alimentos perecíveis, registrou aumento de 20% na movimentação de cargas em 2024, com mais de 12 milhões de toneladas movimentadas e 380 mil entregas. Para 2025, a empresa projetava crescimento de 25%. Esse cenário reforça a importância de tratar a refrigeração como parte da estratégia de gestão da frota, e não apenas como um recurso operacional.
“Produtividade está cada vez mais relacionada à previsibilidade da operação. Ter equipamentos disponíveis, acompanhar seu desempenho, monitorar a temperatura da carga transportada, antecipar necessidades de manutenção e utilizar os dados em tempo real para tomar decisões permite reduzir paradas, controlar custos e aproveitar melhor os ativos”, afirma Leonardo Santanna, responsável pelo Tracking na Thermo King.
A telemetria é uma das ferramentas que contribuem para esse avanço. Em janeiro de 2025, a Abralog debateu o uso da tecnologia na cadeia do frio, destacando seu potencial para aprimorar a gestão operacional, correção de erros e redução de perdas. Com informações sobre a temperatura, localização e funcionamento dos equipamentos, os gestores conseguem acompanhar a operação de forma mais precisa e agir antes que um desvio se transforme em um problema maior.
A eficiência energética também entra nessa equação. Em setembro de 2025, a Abralog destacou que a refrigeração pode representar até 70% das despesas operacionais de centros de distribuição e lojas, evidenciando o peso do consumo energético na cadeia fria. No transporte, a análise envolve o desempenho dos equipamentos, o consumo de combustível, a manutenção e o tempo de utilização.
“Quando tecnologia, manutenção e gestão trabalham de forma integrada, o resultado é uma operação mais previsível, eficiente e mais rentável. A discussão deixa de ser apenas sobre manter a temperatura e passa a envolver como utilizar melhor os recursos disponíveis, reduzir desperdícios e aumentar a competitividade do transporte”, conclui Leonardo.