26 de junho de 2026
Inverno exige atenção redobrada para o transporte de cargas sensíveis
A chegada do inverno traz um desafio pouco percebido para empresas que atuam no transporte refrigerado: o risco de baixas temperaturas comprometerem a integridade de cargas sensíveis. Em um cenário de expansão da cadeia fria brasileira, manter a estabilidade térmica durante todo o percurso se tornou uma questão estratégica para setores como o farmacêutico e o alimentício.
Segundo levantamento da IMARC Group, a logística da cadeia fria no Brasil movimentou US$ 5,4 bilhões em 2025 e deve alcançar US$ 11,5 bilhões até 2034, impulsionada pela crescente demanda por medicamentos termossensíveis, vacinas, produtos biológicos e alimentos resfriados.
Para esses tipos de produtos os riscos operacionais não estão associados apenas ao calor excessivo, mas também às temperaturas muito baixas registradas durante o inverno.
No caso dos produtos farmacêuticos, a preocupação é ainda maior. Medicamentos que podem perder sua estabilidade e eficáciaou sofrer alterações químicas com variação de temperatura precisam ser mantidos dentro de faixas específicas de temperatura para preservarem sua eficácia e segurança. Em muitos casos, os produtos devem permanecer entre 2°C e 8°C durante toda a operação logística, exigindo monitoramento constante e equipamentos capazes de refrigerar e aquecer o compartimento de carga sempre que necessário.
"Vale dizer, no entanto, que o frio também representa um risco para a carga. Quando a temperatura ambiente cai significativamente, o equipamento pode precisar aquecer o baú para manter os produtos na faixa correta. Sem esse controle, a qualidade e a segurança dos medicamentos podem ser comprometidas", explica Vinilton Souza, Líder de Serviços e do Centro de Treinamento na América Latina da Thermo King, empresa pioneira no desenvolvimento de soluções no controle de temperatura para transportes, incluindo unidades de refrigeração para logística de perecíveis.
Ao contrário do que muitos imaginam, temperaturas externas mais baixas não significam uma operação mais simples. Embora reduzam a carga térmica quando o objetivo é transportar produtos congelados, podem aumentar a complexidade do transporte de itens que precisam permanecer em temperaturas positivas e dentro de faixas controladas, como frutas, verduras e medicamentos.
Revisão preventiva e mecanismos de aquecimento
Por isso, a revisão preventiva dos equipamentos antes do inverno torna-se fundamental. Além de garantir o funcionamento adequado do sistema de refrigeração, é necessário verificar a eficiência do ciclo de aquecimento e a configuração correta dos modos de operação para cada tipo de carga.
Entre os erros mais comuns estão a utilização de parâmetros inadequados para produtos sensíveis ao frio e a escolha incorreta do modo de funcionamento do equipamento. Dependendo da carga transportada, pode ser necessário operar em modo contínuo, mantendo o motor em funcionamento permanente para assegurar maior estabilidade térmica.
Tecnologias de monitoramento em tempo real ganham protagonismo. Sistemas conectados permitem acompanhar temperatura, consumo de combustível e desempenho dos equipamentos durante toda a viagem, além de emitir alertas preventivos em caso de desvios operacionais.
Além de proteger a carga, uma operação bem ajustada contribui diretamente para a eficiência da frota. Equipamentos revisados e operando dentro das condições ideais consomem menos combustível, reduzem custos de manutenção e garantem maior confiabilidade ao transporte, especialmente nos meses mais frios do ano.
À medida que a cadeia fria se torna cada vez mais estratégica para a economia brasileira, especialistas reforçam que a gestão da temperatura deve considerar não apenas os desafios impostos pelo calor, mas também os riscos silenciosos provocados pelas baixas temperaturas do inverno.